24/07/2010

À beira da estrada
nascem rosas
fora de horas

Calam-se os pardais
ama a mulher
o Deus menino

como se amasse
o esposo

fosse o tempo
vivido a contento
cantariam os pardais

amaria a mulher
o homem
em devido tempo

Pede o anjo ajuda
ao arcanjo
que o tempo
seja sem tempo

nascem rosas
sem hora
cantam os pardais
sem parar

dia e noite
noite e dia
e o tempo
é sempre o mesmo

23/07/2010

Faz amor comigo até que o dia se confunda na noite. Deixa-me segredar-te meus medos até que tu, meu amor, me cales com beijos. Beija-me o ombro que agora descubro, beija-me o dorso que agora é só teu. Se me ouvires ofegante a pedir-te por mais, acaricia-me a nuca, descansa teu sexo em mim. Caminha comigo enquanto te hospedo. Ah, beija-me até que eu não seja senão o teu beijo.

21/07/2010

vou te amar sem nunca dizer: te amo

de ti só quero o momento
em que estás presente
não me contes quem és
não me segredes quem foste
não me queiras por confidente
porque de ti só quero
poder te amar

em cada beijo meu
sente esse amor
que não se declara
em verso
porque de ti só quero
poder te amar

19/07/2010

Se houvesse antes, se existisse o passado...

eu teria existido em ti, doce presente em que não existo,
e sou isto, aguardente a desaguar quente,
memória do que nunca vivi,
Ah - a vontade de reviver o imaginário,
um dó, um sol e invento a clave
realejo perdido

Ah - e esse desejo que me queima
GRITO: - ESTOU AQUI!
ninguém me ouve,
EXISTO!
meu sexo é prova disso
respira comigo
inspira e expira
quer mais e mais,

Se houvesse antes, se existisse o passado...

cada história de amor
era encantada com uma nova cor

saudades que tenho

do azul que nunca esqueci
e dos teus beijos loucos,
vermelhos a brincar com a cor

Nunca soube teu nome
Meu corpo guardou tua cor
nessa doce noite de amor

15/07/2010

Deixa-me só hoje
tentar ser
quem suponho ser

Deixa-me descobrir
que nada sou

Sem forma nem cor
Sem gosto e não gosto
Amo o todo e o nada
no nada que sou

beija-me o ventre
semeia a terra
que amada agora sou

13/07/2010

Declaração de amor


Meu amor é como o coelho que se escapa no campo. A borboleta que ama – morre e renasce. O sol sempre diferente todos os dias - aquece. A norte é nascente, a sul poente. Minha flor de laranjeira.
É a neve que se esvai – ora água do rio em que navego. Quando está, ele é o presente - encontro. Esse amor que todos ama porque é ele em cada um. Espelho do universo.
Vou ser um esquilo na vida que há de vir...

A memória ainda tão presente dos corpos que se descobrem. Da palavra que se cala nos lábios que se colam.
Quero minha cabeça em seus braços, paro o relógio deixo que o tempo se ausente.
Se me for dado somente um minuto, não lamento. Penso nele devagar quando me beija a boca, a coxa entreaberta, a púbis. Quando me beija por dentro. Sou a puta da esquina, sou a virgem Maria.
Se o seu tempo for só de um segundo será nele que inventarei a eternidade.
É assim que o amo. Não me importa se no minuto seguinte já não está comigo. Ele é o homem que amo.
Se o seu tempo for de um compasso, que ele seja de pausa, porque urge o silêncio. Se for um desenho que ele seja branco – tão intenso o que sinto.
Se tiver de ser escrito, então Cleo minha doce amiga, explique ao leitor porque me ausento. Explique a quem nunca viveu no trapézio como de um gesto em falso se morre em cena.
Me resguardo porque é em segredo que vivo este momento.
Eterno é o momento quando ele me beija por dentro.

Amigo! Qual é a cor do teu sol quando viajas?

11/07/2010

Este poema foi feito para ti, velho amigo de quem sinto saudades. Com ele te beijo

sonhei contigo sem sonhar
cada pedaço de ti em mim
sonhei contigo por dentro
sem sonhar estive em ti

com as asas que me deste
visitei o universo, em ti
por cada beijo trocado
vivi em ti tudo que perdi

meus lábios passeiam-se felizes por ti
devagar saboreio teu paladar
e somos tantas vezes um no outro
que deixamos de existir

se o desejo é isto
em segredo grito que ardo
por ti

tantas vezes fomos um no outro
abraça-me de novo!
sou o beija-flor e o girassol
a derradeira treva
o sorriso que encanta

sou quem és
a formiga e a cigarra
a árvore centenária
o embrião da vida
o reles caçador
o velho que ama

sou o tudo e o nada
sou o amor em cada canto

enquanto sinto
sou quem te ama.

09/07/2010

No inverno traz-me o calor do deserto, tira-me a roupa, banha-me nua.

Beija-me até que o beijo seja esse eterno abraço.

Dá-me o intervalo em que não existo.

Dá-me o vazio,

enquanto me estendo no espaço.

08/07/2010

dou a volta ao mundo
parto e regresso,
sem nunca ter saído do mesmo lugar.

de pernas para o ar invento o avesso
espelho do que continuo sendo.

Se viajo do centro para a esquerda
regresso pela direita
doce ilusão que caminho.

Invento o círculo
dou a volta ao mundo

se choro ou rio
pouco importa
sequer existo.


Espera! Repara que volto,
repara que parto,
enquanto rebolo te abraço...