19/05/2006



A caminho do sol ela cruzou a lua.
Perdida no olhar dos homens,
no ar se encontrou.
Respirou.
Bye, bye Vera...

- Canaliza! Canaliza todo o teu sentir Vera...
Limpou as lágrimas. Sem resistir abriu um sorriso. Despediu-se. Foi para o espaço, a caminho do sol, a caminho da lua, a caminho. Sem caminho.
Assim reza a história da morte da Vera.
- Vera?
- Sim Vera. Aquela menina que se escondia por trás do muro da Dona Violeta...
- Ah, uma gordinha sorridente?
- Mas que idade tinha Vera quando se foi ou morreu?
Tinha a idade de todos nós, tinha a idade do tempo que um dia foi passado, por vezes presente, nunca imaginado futuro
- Porque Vera se foi?
- Já te disse Vera chorava. Olhava sempre para os homens – sempre tão altos- e esperava...
- Quem te contou essa história tão bizarra?
- Minha avó. Ou foi a neta dela? Não - talvez a Rosinha lá do Bar de Jesus, ah já não sei... mas que interessa? Vera é verdade
- Mas que esperava Vera do alto?
- Não sei. Esperava e a seguir chorava...
- Mas...
- Também me contaram que por vezes sorria, e a risada dela era feita de uma gargalhada sonora. Porque será que Vera a seguir chorava?
- Bem me parecia que aquela miúda não batia bem..
- Lembras-te dela?
- Não sei bem. Do sorriso dela – talvez.
- Ela se foi num balão?
- Não! Vera primeiro sorriu, a seguir em vez de chorar como sempre, inspirou, inspirou, inspirou... e começou a subir. Feito um balão de São João Vera se despediu
-E agora?
- Hm?
- Se é ou não verdade é uma história... onde está o The End?
- Dizes me tú que sabes de tudo afinal que sentido era o sentido de Vera?
- Que interessa isso agora?
- Foste tu que me pediste um The End...
- A caminho do sol ela cruzou a lua. Perdida no olhar dos homens, no ar se encontrou. Respirou. Se olhares para o alto agora tu verás o sorriso dela viajando no espaço. Bye, bye Vera...
- Oh Narina. Oh narina... Vem. Anda dançar!

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