23/04/2012

fim

a caminho do fim
vislumbro o começo
em cada intervalo
morro e nasço
outra vez

tormenta

silencio o verbo
que se perdeu
no lamento surdo
da minha tormenta

22/04/2012

Retrato 3/4

no meu retrato
três por quatro
viajo ao passado
aquela sou eu
ainda criança
de copo na mão
na festa da escola
lembras desta?
teu corpo no meu
antes da despedida
tantas vezes partimos
quantas vezes beijei-te
e não fotografei?
na parede o retrato
emoldura o passado
nos meus lábios
um ar morno e doce
indica o presente
onde tudo acontece
enquanto respiro

11/04/2012

sabiá

não chores, sabiá
a noite é quase dia
e voltas a cantar

descansa agora
a vida pede silêncio
até o sol raiar

05/04/2012

asas

o menino sem asas
voa sem dizer adeus
grato
pelas asas que Deus não deu

04/04/2012

tempestade

Durante a tempestade
a chuva afogou-se no oceano
e o peixe largou o isco

circo

Na minha terra todos gostam de circo.
A notícia acontece quando o elefante enlouquece.
O bailarino cantou a morte do cisne num grito sem som.
Esticou-se no palco.
O cisne dançou a morte de quem o cantou.

saudade


Se me vires chorar, não te assustes, a lágrima é doce e me faz cantar.
Quando a saudade se entranhar no meu corpo, farei dela minha companheira, como se fosses tu a ocupar-me inteira.
Se a dor parecer tamanha, descobrirei nela a felicidade.
No fim da noite abrigarei o dia.