26/09/2011

noite

se há estrelas
casas com a lua
inventas promessas
branca e negra
é tua a saudade
serena é a noite
quando te encontras

22/09/2011

destino

um dia todos se encontram, abandonam os pontos cardeais. A primavera, o verão, o outono e o inverno ousam o tempo e celebram matrinónio.
um dia todos se encontram, abandonam os pontos cardeais. A primavera, o verão, o outono e o inverno ousam o tempo e celebram matrinónio.
se a pomba está ao teu alcançe
abraça-a com ternura
como se a mim abraçasses
e se ela foge e recua
canta que ela regressa ao encanto
se for branca, a pomba-rola
coloca em seu bico, uma rosa vermelha
segreda-lhe a minha morada
e se eu tiver partido
com destino desconhecido
entrega a pomba-rola
a rosa vermelha ao mundo

abandono

o meu corpo novo, esse onde existo sem forma, é abrigo do poeta
embriagado de vida resiste ao tempo, e no tempo, dele se despede

descobre o vazio onde o texto encontra o silêncio
nele o abandono sublime do amor.

11/09/2011

deixa que o céu encontre a terra
o mar durma na areia
a chuva fermente o pão
deixa que o que nunca teve 
paragem certa fique onde está
sem nunca ficar

capela

voam as pombas na capela,
e só tu dás por elas
deixam no ar o cheiro do orvalho
e só tu dás por ele
choram como se o dia fosse noite
e só tu cuidas delas
poisa a pomba na cruz
e só tu deixas-te ir
teu sorriso de criança
deu -me o dia antes da noite
teu olhar sem dor
deu-me a manhã antes do dia
esqueço a hora que partes
descanso meu corpo no teu
canta o beija-flor
e o dia é ontem todo o dia
desde ontem

10/09/2011

seja a ausencia, desejo
que cresce na ausencia
amor que nos desperta

06/09/2011

abraço a incerteza
nada sei além deste instante

que respiro
fossem os deuses homens

e a hora seria amanhã
fossem os homens deuses

e a vida seria agora.

04/09/2011

Dançam borboletas na paisagem verde
Adormece a leoa coberta com amor
Vive a vida a hora, sem pressa 
Morna, suada, preguiçosa.

Calam silenciosas as pedras
Montanha que nos alcança
Voam gaivotas, nasce outra flor
A noite se alonga no amanhecer

CIGARRA

Enquanto chora, canta
Enquanto dorme, acorda 
Solitária, descobre-se

vinho

o vinho escorrega
pela garganta
aqueçe o corpo
descobre o ventre

encontra a Besta
o Anjo com sede
amor adiado
Desço ao abismo
entre o paraíso e o inferno
existo