se a laranja for ácida e se a cada gomo as lágrimas te vierem aos olhos, me diga Cleo se é esse o paladar da loucura. Desenhos e textos de Ethel Feldman
28/08/2011
26/08/2011
16/08/2011
A terra não é redonda, tem a forma de melão, com muitas pevides por dentro...
Foi assim que acabei de ler o poema, com meu pai ditando a forma de vida. Ali, onde tudo parecia ser tão simples. O melão tem na mesma planta, flores machos e fémea. Por isso ela pode se auto-fecundar. Acho que foi assim que Deus espalhou homens e mulheres pela terra.
A terra é redonda e dentro dela mora o vazio, tranquilo sereno onde nada acontece e deixa em aberto tudo o que há-de ser, respondi teimosa.
Tenho um metrónomo ao lado do computador que me vigia o compasso da emoção. Assim se meu texto desliza pela tristeza perde o tempo binário e me alerta que o tempo só existe se o meu texto sorrir.
No meu aniversário pais, irmãos, filhos, sobrinhos e companheiro juntaram-se e compraram o metrónomo da emoção.
Tentei avisar a minha família que o metrónomo só me iria fazer mal. Mas a família estava preocupada com o destino da minha poesia. A tristeza dominava o tom da escrita, o metrónomo iria ensinar-me o compasso da felicidade.
O meu metrónomo não me deixa chorar, nem quando ameaço a lágrima ele se comove. Avisa descontrolado que o compasso da vida é outro.
Para acompanhar o tempo da felicidade, tentei adaptar o texto e rosa passou a rimar prosa.
Desde então os meus dias são em allegro, 120 batidas por minuto, em cada meio segundo um sorriso. Sereno ou desenfredao - sorriso. Tic, tac.
Se o metrónomo fosse mecânico eu teria tirado a haste e no lugar dela a ausência definiria a eterna pausa, num compasso desconhecido.
Sem alento fui em busca da pilha, mas o metrónomo digital requer um especialista. Na loja pedi um metrónomo que só medisse o tempo, sem comentários extras.
O rapaz que me atendeu respondeu-me:
- Mas isso é um relógio…
- Não quero nada que meça a hora. Quero um metrómono da emoção porque meu pai está preocupado com o destino da minha escrita
- Mas o seu é excelente. O mais caro da loja..
- Então troque-o por um que esteja avariado e se contente com o tic, tac apenas, em vários BPM.
- Como quiser, mas quem vai lucrar é o gerente
- Dê-me um chinês. Bem parecido na forma, mas que não funcione.
- Desculpe a pergunta, mas porquê se desfaz de uma peça tão cara?
- Este metronomo não me deixa ser feliz…
- Ahhhh, hmmm, okok. Aqui tem este bem avariado.
- Obrigada.
A caminho de casa meu coração encontrou o caminho e chorou. Depois riu.
Tic, tac, clic. Tic, tac, tac, Clic.
A terra é redonda e dentro dela mora o vazio, tranquilo sereno onde nada acontece e deixa em aberto tudo o que há-de ser, respondi teimosa.
Tenho um metrónomo ao lado do computador que me vigia o compasso da emoção. Assim se meu texto desliza pela tristeza perde o tempo binário e me alerta que o tempo só existe se o meu texto sorrir.
No meu aniversário pais, irmãos, filhos, sobrinhos e companheiro juntaram-se e compraram o metrónomo da emoção.
Tentei avisar a minha família que o metrónomo só me iria fazer mal. Mas a família estava preocupada com o destino da minha poesia. A tristeza dominava o tom da escrita, o metrónomo iria ensinar-me o compasso da felicidade.
O meu metrónomo não me deixa chorar, nem quando ameaço a lágrima ele se comove. Avisa descontrolado que o compasso da vida é outro.
Para acompanhar o tempo da felicidade, tentei adaptar o texto e rosa passou a rimar prosa.
Desde então os meus dias são em allegro, 120 batidas por minuto, em cada meio segundo um sorriso. Sereno ou desenfredao - sorriso. Tic, tac.
Se o metrónomo fosse mecânico eu teria tirado a haste e no lugar dela a ausência definiria a eterna pausa, num compasso desconhecido.
Sem alento fui em busca da pilha, mas o metrónomo digital requer um especialista. Na loja pedi um metrónomo que só medisse o tempo, sem comentários extras.
O rapaz que me atendeu respondeu-me:
- Mas isso é um relógio…
- Não quero nada que meça a hora. Quero um metrómono da emoção porque meu pai está preocupado com o destino da minha escrita
- Mas o seu é excelente. O mais caro da loja..
- Então troque-o por um que esteja avariado e se contente com o tic, tac apenas, em vários BPM.
- Como quiser, mas quem vai lucrar é o gerente
- Dê-me um chinês. Bem parecido na forma, mas que não funcione.
- Desculpe a pergunta, mas porquê se desfaz de uma peça tão cara?
- Este metronomo não me deixa ser feliz…
- Ahhhh, hmmm, okok. Aqui tem este bem avariado.
- Obrigada.
A caminho de casa meu coração encontrou o caminho e chorou. Depois riu.
Tic, tac, clic. Tic, tac, tac, Clic.
Quando não se dá conta
Há quem me peça que não escreva com tanta dor.
Há quem me peça que os ais sejam os uis de quem ri.
Há quem me peça que faça de conta, porque quem não se dá conta, não sofre nem geme.
Enquanto escrevo, sorrio na descoberta do fim.
Depois de hibernar, vem a vontade de voar. No céu encontro o ar, no mar me encontro - sereia.
Entre, é o meu destino próximo. Sono longo, onde nada foi dito ou ouvido.
Intervalo presente - liberdade.
14/08/2011
AMANTE
Limou as arestas, limpou o pó. Do que restou, ficou com o vermelho da paixão.
Ela é a sombra que não me acompanha e rouba a parte de mim que sonha.
Deixou comigo a dor da ausência.
Com um sorriso generoso ocupou meu lugar. Roubou meus gemidos na cama.
Inventou a tormenta quando ouviu a promessa amor eterno.
Deu-me de volta a fadiga de vida.
11/08/2011
Quando nasceu dei-lhe a mão,
Devagar toquei cada um dos seus pequenos dedos,
tentando que os meus se encaixassem nos dele.
Se o desejo fosse, só por si, suficiente,
todas as crianças do mundo seriam felizes.
Dor que trago agora no peito, tão escondido que mal posso suportar.
A violência fechada e tumultuada nas ruas, entre torpedos de ira.
Bolas de sabão que se multiplicam no abandono de uma nova civilização.
Sofrimento que invade meu corpo, pela tristeza
De todos os seres que se traiem na existência
De todos os seres que se traiem na existência
Por tudo lhes ter sido negado à nascença.
Se o desejo fosse, só por si suficiente,
nenhuma criança morreria à fome
Teriam por sofrimento único
a ignorância do não sofrimento.
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