adormece teus lábios nos meus até amanhã de manhã,
quando acordares, leva esse amor que de nós sobeja
rega com ele a flor, semeia o campo, convida o beija-flor
amor multiplicado - teu nos meus lábios.
se a laranja for ácida e se a cada gomo as lágrimas te vierem aos olhos, me diga Cleo se é esse o paladar da loucura. Desenhos e textos de Ethel Feldman
28/01/2011
27/01/2011
obstáculos
moram comigo
dizem bom dia
às vezes com pressa
vivo com eles
desde criança
devagar, muito devagar
dou conta de cada um
quando os reconheço
agradeço-os pelo nome
feliz de os poder abraçar
e desejar boa viagem
26/01/2011
MELODIA
calam silenciosas as pedras
montanha que nos alcança
sem pressa,voam gaivotas
nasce outra flor, sem dono.
abraço teu corpo no meu
antes que seja noite
melodia que se repete
pausa que tarda
promessa de novo compasso
dança enquanto a noite
se alonga no amanhecer
e eu te diga adeus
outra vez
22/01/2011
17/01/2011
ENTRE
Intervalo onde nos encontramos. Disseste-me que estaríamos Entre. Inventaste um espaço onde tudo seria possível. Amor que não se cansa. Limite que não se conhece. Uma janela - eterno Entre na paisagem.
Tudo em aberto- intervalo inventado por ti, agora finito.
Quando a unidade procura o vazio e quase chega lá, dita a física que esse encontro nunca se faz por mais próximo que seja, em absoluto não existe.
Dá-me então esse relativo, onde existimos sem forma e limite. Este que cresce quanto mais Entre estivermos.
No limite, vivemos fora dele, sempre a procurar o infinito.
No intervalo que acabaste por definir - ilusão de finito, deixámos de amar.
Aparece o o sol a dizer que é azul
Olho e vejo o espectro
Vem o cego, toca meu seio
diz que é preto
eu o sinto tão sem cor, agora!
Falas do elo que falta, e eu te respondo que é na ausência que vivem os meus textos. O silêncio entre a última e a próxima palavra - ali onde respira o que não deve ser dito.
Dá-me um beijo na boca
Intervalo que somos
Um no outro - agora
Entre um beijo e outro
Procura a semente, cultiva, colhe
Fruta da época - Entre uma estação
e outra
Mortas as maçãs do meu pomar
Sementes de novo
Ama enquanto for tempo
Morre dentro do tempo
Semente de novo
Intervalo que não se acaba
Entre - Sempre
Tudo em aberto- intervalo inventado por ti, agora finito.
Quando a unidade procura o vazio e quase chega lá, dita a física que esse encontro nunca se faz por mais próximo que seja, em absoluto não existe.
Dá-me então esse relativo, onde existimos sem forma e limite. Este que cresce quanto mais Entre estivermos.
No limite, vivemos fora dele, sempre a procurar o infinito.
No intervalo que acabaste por definir - ilusão de finito, deixámos de amar.
Aparece o o sol a dizer que é azul
Olho e vejo o espectro
Vem o cego, toca meu seio
diz que é preto
eu o sinto tão sem cor, agora!
Falas do elo que falta, e eu te respondo que é na ausência que vivem os meus textos. O silêncio entre a última e a próxima palavra - ali onde respira o que não deve ser dito.
Dá-me um beijo na boca
Intervalo que somos
Um no outro - agora
Entre um beijo e outro
Procura a semente, cultiva, colhe
Fruta da época - Entre uma estação
e outra
Mortas as maçãs do meu pomar
Sementes de novo
Ama enquanto for tempo
Morre dentro do tempo
Semente de novo
Intervalo que não se acaba
Entre - Sempre
13/01/2011
VIDA
O sol aparece sem dizer bom dia. Abraça quem dorme. Toma conta do dia. Nos dias de festa, fica até tarde.
Preguiçoso, adormece comigo na cama. Morre um homem. Nasce outra flor. Chove. Molha meu corpo de novo.
Nos dias de festa, o sol fica até tarde. Dorme comigo. Morre e nasce. Outra vez.
Nas estações de comboio chegavam homens de fora. Das prisões saíam heróis. Abraços que se prolongavam na canção da liberdade.
Não importa se gritavam sozinhos ou acompanhados, os seus pulmões descobriam caminho e entoavam sem medo:
- Camarada!
Homens que choram, sem vergonha do choro. Em cada abraço a memória da luta pela liberdade. Em cada sorriso, a esperança de um novo dia.
Da minha janela vejo o mar. Conto as ondas que se repetem na minha boca. Quando o sol aparece, abraça-me devagar. Peço a ele que fique e me aqueça, entre ir e voltar.
Os pescadores escolhem o melhor peixe. Os eleitos secam devagar, no sol. Voam morcegos nas noites quentes. Não escolhidos, voltam ao mar os peixes sobreviventes.
Morreu de morte matada. Escapou da fome. Regressou ao mar, o peixe que sobrou na rede do pescador. Cantou o galo pior sorte. Ensaguentado o touro explodiu.
Morrem os pobres - felizes antes de morrerem de fome. Desgraça assistida.
De noite conto as estrelas cadentes. Dançam sempre antes de morrer.
Preguiçoso, adormece comigo na cama. Morre um homem. Nasce outra flor. Chove. Molha meu corpo de novo.
Nos dias de festa, o sol fica até tarde. Dorme comigo. Morre e nasce. Outra vez.
Nas estações de comboio chegavam homens de fora. Das prisões saíam heróis. Abraços que se prolongavam na canção da liberdade.
Não importa se gritavam sozinhos ou acompanhados, os seus pulmões descobriam caminho e entoavam sem medo:
- Camarada!
Homens que choram, sem vergonha do choro. Em cada abraço a memória da luta pela liberdade. Em cada sorriso, a esperança de um novo dia.
Da minha janela vejo o mar. Conto as ondas que se repetem na minha boca. Quando o sol aparece, abraça-me devagar. Peço a ele que fique e me aqueça, entre ir e voltar.
Os pescadores escolhem o melhor peixe. Os eleitos secam devagar, no sol. Voam morcegos nas noites quentes. Não escolhidos, voltam ao mar os peixes sobreviventes.
Morreu de morte matada. Escapou da fome. Regressou ao mar, o peixe que sobrou na rede do pescador. Cantou o galo pior sorte. Ensaguentado o touro explodiu.
Morrem os pobres - felizes antes de morrerem de fome. Desgraça assistida.
De noite conto as estrelas cadentes. Dançam sempre antes de morrer.
07/01/2011
amor inventado
Atravessei a rua, sem ver
Pisei no chão, descalça
Abracei o estranho, cega
Ri sem motivo, feito criança
Embriagada amei
teu corpo no meu
meu beijo no teu
parte quem nunca chegou
amor inventado.
Pisei no chão, descalça
Abracei o estranho, cega
Ri sem motivo, feito criança
Embriagada amei
teu corpo no meu
meu beijo no teu
parte quem nunca chegou
amor inventado.
POESIA
Quando crescer vou ser poeta,
contar da flor que nasce
daquela que agora morre
Quando crescer farei poesia
da poesia de cada encontro
Quando crescer, bastará fechar os olhos
abraçar tudo que vejo
Instante que amo e largo
Intervalo sem tempo
Poema que assiste a vida
contar da flor que nasce
daquela que agora morre
Quando crescer farei poesia
da poesia de cada encontro
Quando crescer, bastará fechar os olhos
abraçar tudo que vejo
Instante que amo e largo
Intervalo sem tempo
Poema que assiste a vida
Desenho
Passei o dia à janela. Olhando de dentro para fora. Cada forma uma forma. Desenho-as mentalmente. Por onde começa a letra? Com o dedo imagino que nasce de cima para baixo. Encontro o fim e volto ao mesmo. Um desenho que nunca acaba. Como se o mundo fosse só essa curva que gosto. Redonda.
As cores conto-as aos pares. Viajo no espectro, encontro a matemática de cada elemento. Na unidade, procuro o par. Sustento. Reparto. Parto. Desenho que não se acaba, senão quando me canso.
Atravessa o cego com a bengala no ar - o buraco está no chão.
Trinta e seis justos Deus escolheu - sábios ignorantes a vaguear sem destino.
Redonda é a forma - vizinha do fim. Perfume doce em cada manhã.
Parto, reparto, sustento, respiro.
Encontra o cego a migalha de pão - largada no chão.
Do lado de fora, vejo a janela da minha casa. Embaciada.
Invento o começo - sem cor. Sem destino.
As cores conto-as aos pares. Viajo no espectro, encontro a matemática de cada elemento. Na unidade, procuro o par. Sustento. Reparto. Parto. Desenho que não se acaba, senão quando me canso.
Atravessa o cego com a bengala no ar - o buraco está no chão.
Trinta e seis justos Deus escolheu - sábios ignorantes a vaguear sem destino.
Redonda é a forma - vizinha do fim. Perfume doce em cada manhã.
Parto, reparto, sustento, respiro.
Encontra o cego a migalha de pão - largada no chão.
Do lado de fora, vejo a janela da minha casa. Embaciada.
Invento o começo - sem cor. Sem destino.
03/01/2011
TEMPO DE ESQUECIMENTO
Teu corpo pequeno, redondo na minha mão, sorri.
Deito de costas. Olho o tempo. De trás para frente sempre a contar. Coisas do outro tempo.
A flor nasceu contigo. Sempre uma nova, na tua cama.
Quase brancas, lembram que o dia só acaba quando adormece.
Teu corpo pequeno, redondo sempre a crescer. Um adeus, até amanhã. Um beijo em cada partida. Um abraço a perder de vista.
Meu corpo a ceder.
Deito de lado. Sobre o coração, meu corpo agora pesado. Uma história que sei contar às avessas.
Teu corpo pequeno, redondo, longe de mim.
Resta sempre o amanhã no dia que agora parte, deixando teu sorriso na mimha memória.
Teu corpo pequeno, redondo - livre.
Deito de costas. Olho o tempo. De trás para frente sempre a contar. Coisas do outro tempo.
A flor nasceu contigo. Sempre uma nova, na tua cama.
Quase brancas, lembram que o dia só acaba quando adormece.
Teu corpo pequeno, redondo sempre a crescer. Um adeus, até amanhã. Um beijo em cada partida. Um abraço a perder de vista.
Meu corpo a ceder.
Deito de lado. Sobre o coração, meu corpo agora pesado. Uma história que sei contar às avessas.
Teu corpo pequeno, redondo, longe de mim.
Resta sempre o amanhã no dia que agora parte, deixando teu sorriso na mimha memória.
Teu corpo pequeno, redondo - livre.
01/01/2011
Ano Novo
Quero uma agenda sem começo.
Como o tempo que sinto.
Contínuo nos intervalos.
Entre a infância e a semana passada, confundo o passado.
Subi a montanha. Presa no tronco, a dois passos do chão - chorei com medo da queda.
Presa com a boia, junto à terra - tive medo de me afundar.
Na escola, aprendi a ler. O 'A 'vem antes do 'C' e do 'B'. O '2' acompanha o '3'.
Há sempre um antes e outro depois. O tempo a subtrair tempo, no tempo que aprendo.
O tempo de ontem, no ventre da minha mãe.
Noto o mar preguiçoso, mesmo quando se mostra revolto.
Daqui a pouco sereno. É assim o seu tempo. Sempre novo.
O rio acaricia a montanha, a borboleta beija a flor.
Saboreio a maçã, toco meu corpo molhado.
É assim a natureza. Em todos os intervalos.
Uma agenda sem início, nem fim.
Como o tempo que sinto.
Contínuo nos intervalos.
Entre a infância e a semana passada, confundo o passado.
Subi a montanha. Presa no tronco, a dois passos do chão - chorei com medo da queda.
Presa com a boia, junto à terra - tive medo de me afundar.
Na escola, aprendi a ler. O 'A 'vem antes do 'C' e do 'B'. O '2' acompanha o '3'.
Há sempre um antes e outro depois. O tempo a subtrair tempo, no tempo que aprendo.
O tempo de ontem, no ventre da minha mãe.
Noto o mar preguiçoso, mesmo quando se mostra revolto.
Daqui a pouco sereno. É assim o seu tempo. Sempre novo.
O rio acaricia a montanha, a borboleta beija a flor.
Saboreio a maçã, toco meu corpo molhado.
É assim a natureza. Em todos os intervalos.
Uma agenda sem início, nem fim.
Subscrever:
Mensagens (Atom)